Resenha: Adormecida, de Anna Sheehan

domingo, 24 de fevereiro de 2019




Sinopse:
Como seria se a bela adormecida acordasse no futuro pós-apocaliptico do mundo real?

Rose Fitzroy esteve dormindo profundamente por décadas... então acordou.

Imersa num sono induzido, esquecida em um porão há mais de 60 anos, a jovem era tratada como desaparecida, enquanto os anos sombrios pairavam sobre o mundo.

Despertada como por encanto, e descobrindo-se herdeira de uma corporação multimilionária, Rose vai entendendo pouco a pouco, tudo o que aconteceu em sua ausência, recompondo suas lembranças, a fim de recuperar a própria vida.

Ela descobre que seus pais estão mortos. O rapaz por quem era apaixonada não é mais que uma mera lembrança. A Terra se tornou um lugar estranho e perigoso, especialmente para ela, que terá de assumir o seu lugar à frente dos negócios.

Desejando adaptar-se à nova realidade, Rose só consegue confiar numa única pessoa. Algo lhe diz que ela a conhece, mas seria impossível. Ela até gostaria de deixar o passado para trás, no entanto, ao pressentir o perigo, percebe que precisa enfrentá-lo – ou então não haverá futuro.

Título Original: A long, long sleep
Autor: Anna Sheehan
Editora: Leya
Ano: 2012
Skoob: Adormecida
Citações: Adormecida


Capa norte-americana
Se no conto da Bela Adormecida a história acaba quando a princesa acorda, aqui, isso nada mais é do que o começo. E Rose Fitzroy, nossa protagonista, vai precisar reaprender a viver em um mundo um tanto diferente do que ela conhecia.

No começo, achei que Rose estava muito plácida para alguém que acabou de descobrir que o mundo como conhecia havia desaparecido, que tinha faltado deixar um pouco mais claro a angústia de alguém que tinha acordado sozinha no mundo. Porém, conforme a história se desenrola, e vamos descobrindo a personalidade dela (junto dela, aliás), vai ficando mais claro que isso faz parte do desenvolvimento da personagem.

No início, ela é diferente de todo mundo, tem o rosto de uma adolescente, com jeito de uma época anterior (equivalente dos avós dos outros adolescentes) e às vezes tem reações infantis, e toda essa mistura faz cada vez mais sentido, conforme o passado dela vai sendo contado - não vou falar mais sobre isso, porque pra mim parte da mágica foi ir acompanhando pouco a pouco.

Uma das coisas que gostei bastante é o crescimento de Rose fazer sentido, vir em uma progressão que é super crível, e não aquela história de algo acontece de uma hora para a outra e obriga o personagem principal a abandonar todos os seus medos e todas as suas reservas de uma vez e encarar o perigo (porque, sim, há um perigo que desperta logo depois dela e passa a caçá-la).

Capa alemã
Além do aspecto “o quanto o mundo pode mudar após um sono tão longo”, Anna Sheehan, a autora, aborda um outro aspecto interessante que não lembro de ter visto antes em releituras desse conto: o preço que todo esse tempo imóvel custa à saúde de nossa Bela Adormecida.

Sendo absolutamente honesta, não estava com expectativas particularmente grandes quando comecei esse livro. Pensei nele como mais uma releitura que eu queria conhecer. No fim, encontrei uma jóia, eu realmente adorei o livro. As informações vão sendo dadas na medida e na hora certa para te manter preso na história – eu não queria parar de ler (oh, vida, por que preciso acordar cedo amanhã?)

Referências ao conto de fadas obviamente não faltam, mas Adormecida não é um livro de fantasia. Está mais para uma ficção científica com um toque de futuro distópico.

O que mais me marcou nessa história, foi a evolução dos pensamentos e da personalidade de Rose.  Há uma cena em que ela fica vagando sem rumo pela cidade e a sensação de solidão dessa hora ficou tão brutalmente clara pra mim, que precisei parar um segundo e respirar. Vários outros trechos me fizeram parar um momento dessa forma  - sabe aquele livro que alguns trechos se parecem tanto com o que você pensa que se você mesmo tivesse escrito não seria tão verdadeiro?


Não bastasse isso, os personagens e as reações deles fazem sentido – me desanima a leitura quando os personagens começam a fazer coisas sem coerência nenhuma com o enredo ou com a personalidade deles.

Otto foi um dos meus personagens preferidos. Inclusive a comparação que ele faz de Rose com o conto da Bela Adormecida foi uma das minha citações que mais gostei nesse livro.


A forma como a autora tratou os sentimentos dos personagens foi muito... madura talvez seja a melhor palavra. Não é por ser uma releitura de contos de fadas que jogou um romance e fez dar certo de todo jeito. Ainda que seja uma ficção científica com um título que remete claramente a uma fantasia, dá para pensar em Rose e nos outros como pessoas reais, com problemas reais.
Anna Sheehan

Aliás, vou falar mais sobre isso no próximo post com curiosidades sobre o livro, mas Anna Sheehan pesquisou sobre (e conviveu com) pessoas vítimas de abuso, e fala em uma entrevista sobre como esse processo é muitas vezes silencioso. Esses elementos vão aparecendo no enredo de uma forma muito bem feita.

E apesar de ser uma releitura, NÃO tem um final óbvio, o que é bem legal.

[🚨Alerta de SEMI SPOILER🚨

Chorei com o final que não é feliz, nem triste exatamente. Dá uma sensação de realidade, de que as coisas foram da melhor maneira que puderam ser. Bittersweet, nas palavras da autora em um podcast.

[🚨Fim do alerta de SEMI SPOILER🚨

O ponto que me incomodou porque atrapalha um pouco a leitura é a mudança de ponto de vista que ocorre no MEIO de uma cena – o  que acontece algumas vezes ao longo do livro. Nada que voltar o parágrafo não resolva, mas enfim.

A capa brasileira é linda também: um pouco desfocada mesmo, o que também faz todo sentido para a história.


Bom, gostei MUITO (!) desse livro, realmente acho que vale muito a leitura, especialmente para apaixonados por releituras de Contos de Fadas como eu. Por isso, 5 borboletas!




E não deixe de ver o post com curiosidades sobre o livro.


Vocês já leram esse livro? O que acharam? Não percam o próximo post com curiosidades, inclusive sobre uma espécie de continuação desse livro!




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