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Curiosidades: Adormecida, de Anna Sheehan

Curiosidades: Adormecida, de Anna Sheehan

Se você ainda não viu, dê uma olhada na resenha de Adormecida :) 

Contos de Fada
A referência mais óbvia do livro é o conto A Bela Adormecida. Porém, ao contrário do conto, que termina com o despertar da princesa, aqui isso é só o começo da história.

A Bela Adormecida, 1959 Walt Disney Pictures
A Bela Adormecida, 1959
Walt Disney Pictures
Temos também um sono muito longo (no livro em torno de 62 anos), o equivalente de uma princesa (a herdeira de uma corporação multimilionária) que é acordada do sono com um beijo (na verdade, mais uma respiração boca-a-boca).

Sem contar que a protagonista chama Rosalinda Samantha Fitzroy e recebe o apelido de Rose - impossível não lembrar de Aurora, da Disney, que tem o apelido de Rosa na sua época de anonimato. 

Além disso, a própria personagem faz referência ao conto em alguns momentos :

 Adormecida, de Anna Sheehan

Inspiração
Em uma entrevista para o Enchanted Ink Pot, Anna Sheehan conta que a inspiração para a história veio de um pensamento que qualquer pai tem enquanto fica perseguindo um filho pequeno pra lá e pra cá: “Ah, se eu pudesse apertar o botão de pause” e perceber que algumas pessoas realmente fariam isso se pudessem. Então passou a pensar no que isso significaria para a pessoa que fosse ‘pausada’.


De como isso virou a estase a que Rose é submetida também tem uma história interessante: uma vez escutou um roteirista norte-americano chamado Blake Snyder falar a seguinte frase (tradução livre): “Estase é igual a morte" – ele na verdade estava falando sobre teoria literária e sobre como se seu personagem não muda a situação dele na vida, ele poderia estar morto.” A frase acabou reverberando na cabeça dela e daí surgiu a fonte de ‘sono’ de Rose.

Observação: Blake Snyder foi um mentor de escrita que publicou três livros chamados "Save the Cat!" sobre esse tema – já entraram na minha lista para dar uma olhada por aí... rsrsrs.


Gênero Literário
Apesar de ter alguma base em um conto de fadas/fantasia, o livro é uma obra de ficção científica que se passa num futuro após algumas catástrofes (econômicas, populacionais, pandêmicas). Porém a autora nunca pensou nele como uma distopia, esse gênero foi acrescentado pelos editores para os fins de publicação. Ela conta um pouco sobre isso em uma entrevista para o Podcast do Stage and Studio.

Personalidade e Abuso
Scarlet O'Hara
E O Vento Levou, 1939
Desde jovem, a autora conviveu com várias pessoas vítimas abuso e cronicamente deprimidas, sendo que ela tem o diagnóstico de distimia também. Para essa história ela pesquisou sobre vítimas de abuso e transtornos dissociativos associados. 

Segundo ela, Rose se tornou o tipo de pessoa que põe os pensamentos de lado, “não vou pensar nisso agora”. Nesse podcast ela compara com o que Scarlet O’Hara (de E O Vento Levou) faz – deixa para depois, mas acaba nunca pensando a respeito.

Conforme a história de Adormecida avança, fica cada vez mais claro o quanto os pais de Rose são abusivos, e uma das coisas que a autora coloca é como esse processo pode ser suave e silencioso, a ponto de a pessoa nem achar que é um abuso (é muito mais claro pensar em abusos físicos).

Conta também que Rose ter se tornado passiva foi um mecanismo de sobrevivência, e essa característica da personagem é algo que alguns leitores reclamam a ponto de não terminarem o livro. E aí ela solta uma frase que achei maravilhosa:


“Você pode ser forte sem ser o fortão que vai pegar uma espada a acertar alguém. Você pode ser uma pessoa forte, mesmo sendo passiva. A forma como as pessoas se tornam passivas nunca é uma história bonita, então eu resolvi contar essa história e deixar as pessoas verem qual é a causa disso. […] Todo mundo tem um diagnóstico, e muitas dessas pessoas [que sofrem/sofreram abuso] são algumas das pessoas mais interessantes. E, sim, elas são quebradas, às vezes é muito difícil para elas se tornarem produtivas e sair de onde elas estão, mas elas têm as histórias mais interessantes, e os corações mais bonitos.” (tradução livre - Anna Sheehan’s “A Long, Long Sleep” - Stage and Studio)

Otto!
 Adormecida, de Anna SheehanAinda segundo o podcast do Stage and Studio, Otto nem aparecia no primeiro planejamento do livro. Eventualmente ele apareceu no almoço sem falar nada, e Anna Sheehan se perguntou porque ele não falava. As informações explodiram na cabeça dela e muitas coisas se resolveram na história.

Otto, obrigada por aparecer, você é um dos meus personagens favoritos!

Outros livros:
Existem dois outros livros publicados dessa autora:

- No Life But This (achei difícil traduzir isso, seria algo mais ou menos como “Sem outra vida além dessa”, no sentido de “essa é a vida que eu tenho”)


É uma espécie de continuação de Adormecida, ainda não traduzida para o português. Mas aqui a história é mais baseada em Otto e do ponto de vista dele pelo que entendi.

- Spinning Thorns (algo como “Espinhos Fiados”, no sentido de espinhos passados na roca)


É uma outra releitura de A Bela Adormecida, mas enquanto em Adormecida, ela focou na protagonista do conto original, aqui ela foca no que aconteceu no reino.

Bloqueio de Autor
Perguntaram a Anna Sheehan no Goodreads como ela lida com o bloqueio de autor. Vejam a resposta (dica: ela mora em uma fazenda):

“Com um machado. É a melhor forma. Na verdade, eu não costumo ter ‘bloqueio de autor’ exatamente. Eu tenho bloqueio de editor, quando eu tenho problemas para editar um livro do jeito que ele precisa ficar para ser vendável. E na verdade, um machado costuma funcionar muito bem se estou tendo problemas para escrever – se estou dentro de casa por muito tempo, um pouco de atividade física é útil, e nós aquecemos a casa com um fogão a lenha.” (tradução livre)

 Adormecida, de Anna Sheehan


O que acharam dessas curiosidades? Eu estou cada vez mais apaixonada por esse livro. S2

P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Scarlet O’Hara, 1939 
- Imagem Aurora, 1959 
- Imagem Goodreads 




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Curiosidades: Allegra: Antes do Play


Sinopse: 


Allegra: Antes do PlayAllegra é uma figura peculiar: gorda, baixa, branquela e com um estilo retrô. Apesar disso, é o clichê da Cinderela: órfã de pai e mãe, mora com a madrasta Maura e suas duas filhas, Pam e Mel, que são tudo o que ela não é: altas, magras, lindas e negras. Para completar a imagem da gata borralheira, Allegra trabalha para as irmãs, editando seus vídeos para canal Be Twins no Youtube. 


Estudante de Letras, Allegra sonha em se tornar escritora. Mesmo sua melhor amiga Verônica insistindo que ela deveria publicar suas histórias na Amazon, Allegra insiste em publicar tudo gratuitamente pelo Wattpad, porque não acredita que alguém pagaria para ler o que ela escreve. Um de seus leitores, com o pseudônimo de “Orfeu apaixonado”, começa a se corresponder com ela por email, e Allegra percebe que sua admiração extrapola sua escrita. Ela não pode negar que também acaba se interessando por ele, mesmo sem saber quem ele é.

Tudo muda no dia em que Allegra recebe um email de Orfeu, que chega através da conta de um canal do Youtube chamado Os MosqueteiroZ. Curiosa, ela descobre que o canal é mantido por três youtubers famosos – Darta, Fred e Constantin – e que um deles deve ser Orfeu. O problema é que eles acabam de lançar um concurso de vídeos, com o lema Seja sua melhor versão, concurso este que as irmãs pretendem ganhar a qualquer custo, o que inclui, se necessário for, dar em cima dos youtubers. 

Não deixe de conferir a Resenha do livro. =D

Pin up anos 1950

Quando a porta do elevador se abriu na cobertura, ela viu um mar de pessoas estranhas conversando entre si. Não era que fossem estranhas na aparência – até porque Allegra não se achava digna de julgar ninguém pela aparência, justo ela, uma garota gorda com coragem o suficiente para se vestir como uma pin-up dos anos 1950, cuja aparência chamava a atenção de vários olhares de reprovação e estranhamento por onde quer que passasse.  

Pin up
Pin up
Como deu para perceber pelo trecho acima, com vira e meche se referem a Allegra como pin up. O termo pin up (que significa “pendurado” em português) apareceu por volta da época da Segunda Guerra, quando soldados penduravam fotos e desenhos de mulheres bonitas de calendários, cartazes e catálogos de produtos em suas beliches, paredes de alojamento e mesmo em aviões. Geralmente essas mulheres eram atrizes ou modelos e com frequência com conotação sensual. 

“Atualmente o termo é mais usado para definir uma tendência estética do que um comportamento. As pin-ups de hoje buscam repetir o estilo clássico das modelos, quase sempre composto por batom vermelho, olhos bem delineados, cabelos no estilo rockabilly e roupas em estilo retrô. Hoje em dia o estilo pin-up faz parte da cultura pop e é usado até mesmo como fantasia. O estilo faz parte do mercado de produtos no estilo retrô e vintage.” - Significados - pin up

Figurinos 

Com a ajuda de um carrinho de supermercado, Allegra saiu pelos corredores da universidade, transportando as caixas decoradas. Parecia saída de um calendário antigo, com seus sapatos oxford bicolores, sua saia midi godê vermelha como os lábios e a camisa azul jeans com bolinhas brancas minúsculas com as pontas amarradas no meio da cintura, deixando à mostra a regata branca pelo meio do decote. Bastava parar no caminho, levantar um dos pés para trás e fazer biquinho: era uma autêntica pin-up.  

Saia godê é essa saia mais soltinha (adoro!) 

Saia godê e sapatos Oxford bicolores
Saia godê e sapatos Oxford bicolores


E para quem também não sabia o que é um decote princesa, que Allegra usa de vez em quando, eis a foto do vestido de Elizabeth Taylor. 

Elizabeth Taylor - decote princesa
Elizabeth Taylor - decote princesa





Orfeu 
Quem era? 
O que fazia? 
Do que se alimentava? 
Hoje, no Globo Report... digo, no Escrevendo Asas. 

Ok, eu sei, foi uma piada infame. Vamos ao que interessa. 

Orfeu guiando Eurídice do submundo, 1861  Jean-Baptiste Camille Corot
Orfeu guiando Eurídice do submundo, 1861
Jean-Baptiste Camille Corot
O mito de Orfeu vem da mitologia grega. Filho da musa Calíope e, em algumas versões, de Apolo. Ele era capaz de cantar e tocar de uma forma tão maravilhosa que os animais, as árvores e mesmo as pedras se reuniam em volta dele para dançar. Apolo teria dado a ele sua primeira lira. 

Orfeu fez parte dos Argonautas (sim, os caras que procuravam o Velocino de Ouro) e em uma das viagens os salvou do canto das sereias com sua música poderosa. 

Quando voltou para casa, ele se casou com sua amada Euridíce, que morreu pouco depois por uma picada de cobra. Desesperado, ele desceu à terra dos mortos para tentar trazê-la de volta. Com sua música, ele não só foi capaz de encantar Caronte e Cérbero (Lembram? Cachorro, grande, três cabeças? Chegando lá não tem como confundir.) como moveu o próprio Hades. 

Constelação de Lira  Hemisfério Norte
Constelação de Lira
Hemisfério Norte
O deus dos mortos permitiu que ele levasse Euridíce com uma condição: até chegarem à terra dos vivos, nenhum dos dois podia olhar para trás. Porém, ao ver a luz do Sol, Orfeu virou para dividir a alegria com a amada, e ela acabou desaparecendo. 

Mais tarde, quando Orfeu morreu, a sua lira foi transformada em uma constelação. 

Orfeu da Conceição 

Max sorria e dançava, segurando uma das mãos de Allegra, que logo entrou no ritmo. Não era Elvis, mas ela sabia ser uma garota contemporânea de vez em quando.

Em um determinado momento do livro, Allegra faz referência a Orfeu da Conceição. E agora? 

Orfeu da Conceição
“Orfeu da Conceição” foi uma peça de teatro, baseada no mito grego, escrita por Vinícius de Morais, com músicas de Tom Jobim. Estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro com cenários de Oscar Niemeyer. 

Conta a história de Orfeu, um sambista que mora no morro no Rio de Janeiro e se apaixona por Euridíce. O amor dos dois desperta o ciúme da ex-noiva de Orfeu, Mira, que leva Aristeu, apaixonado por Euridíce, a matá-la. Em seu desespero, Orfeu desce o morro até o Clube dos Maiorais do Inferno. Quando volta, Mira o mata.

Ingresso pré-estreia Orfeu e Conceição

Curiosidade: o nome da mãe de Orfeu na peça é Clio, que na mitologia grega era uma das musas. 

E para quem quiser ouvir a abertura da peça: Overture Orfeu da Conceição 



E aí, gostaram das curiosidades sobre o livro? Já conheciam essa peça de Vinícius de Morais? 

Ahhhh!! E logo mais vem uma entrevista com a autora Andreia Evaristo! 


P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Elizabeth Taylor  
- Imagem saia godê


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Curiosidades: Scarlet , As Crônicas Lunares #2 de Marissa Meyer


Sinopse
Scarlet , As Crônicas Lunares #2 de Marissa MeyerCinder, a mecânica ciborg, retorna nesse segundo volume de As Crônicas Lunares. Ela está tentando fugir da prisão – mesmo que, se ela conseguir, será a fugitiva mais procurada da Comunidade das Nações Orientais.

Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit está desaparecida. Quando Scarlet encontra Lobo, um lutador de rua que talvez tenha informações sobre o paradeiro de sua avó, ela reluta em confiar nesse estranho, mas é inexplicavelmente atraída por ele e ele por ela. Enquanto Scarlet e Lobo desvendam um mistério, eles encontram outro quando conhecem Cinder. Agora, todos eles precisam estar um passo a frente da má Rainha Levana de Luna, que fará qualquer coisa para que o belo Príncipe Kai se torne seu marido, seu rei e seu prisioneiro. [tradução livre de Goodreads - Scarlet]

Sobre o Livro
Scarlet é o segundo livro da série Crônicas Lunares, continuação de Cinder, escrito por Marissa Meyer e publicado nos Estados Unidos em 2013. A capa vermelhadá uma boa dica de qual conto de fadas é a base desse segundo livro: Chapeuzinho Vermelho. Mas não se engane, apesar de termos elementos que claramente remetem ao conto, assim como em Cinder, a história traz bem mais do que uma garota levando doces para a avó e sendo engolida por um lobo.
Fanart Scarlet por deanpinterester
Fanart por deanpinterester

Eu gostei do livro, assim como de toda a série, mas confesso que algumas partes me incomodaram. Temos algumas cenas um tanto violentas, principalmente mais para o fim do livro. Veja bem, elas fazem sentido na história, acho que eu só não estava esperando por elas (ou simplesmente porque não é o tipo de cena das minhas Top-10 preferidas).

E se você está se perguntando porque diacho estamos falando de uma nova personagem se o que você quer mesmo saber é o que está acontecendo com Cinder depois do final do primeiro livro, não se preocupe. Nesse segundo volume, Marissa Meyer intercala as duas narrativas de uma forma super bem feita!

Por que na França/Federação Europeia?
Histórias de lobisomens aparentemente são comuns em qualquer lugar que tenha lobos. Umas das histórias mais famosas, pra não dizer reais, de certa forma, aconteceu em uma região do sul da França chamada Gévaudan no século XVIII.

Segundo o site do museu Smithsonian, cerca de 300 pessoas foram atacadas de forma brutal ao longo de três anos. Os ataques foram atribuídos a uma criatura que ficou conhecida como Besta de Gévaudan. Há histórico de algumas pessoas que teriam conseguido se defender e até machucar a fera. Uma delas foi Marie-Jeanne Valet.

Estátua de Marie-Jeanne Valet na vila de Auvers, sul da França
Estátua de Marie-Jeanne Valet na vila de Auvers, sul da França

Marissa Meyer viu um documentário sobre o caso na época em que estava planejando as Crônicas Lunares, e achou interessante que a França já tivesse sua própria história de superstição em lobisomens.

Aliás, você encontra uma versão em português da história da Besta de Gévaudan na Wikipedia.

Coisas Interessantes
Rieux-Volvestre
Rieux-Volvestre
- O nome de Émilie originalmente era Sophia (foi trocado por haver nomes demais com som de S – Scarlet, Cinder, Sophia)

- A cidade de Rieux é baseada em uma cidade real chamada Rieux-Volvestre (sugestão do editor francês das Crônicas Lunares)

🚨Alerta de spoiler on 🚨

- o quartel general do Bando a princípio seria nas catacumbas de Paris

- o nome Ze’ev é hebreu e Ran é nórdico – ambos significam ‘lobo’.

🚨Alerta de spoiler off 🚨

A Primeira Versão
Em uma entrevista para o blog A Backwards Story, Marissa Meyer contou como eram algumas coisas na primeira versão do livro e como mudaram até a versão final:

- Scarlet era uma garçonete no pub que aparece no primeiro capítulo do livro.

Fanart de Scarlet Angela Yohn
Fanart Angela Yohn

- A avó de Scarlet era mantida como uma espécie de escrava na América. Scarlet sabia onde ela estava e tentava juntar dinheiro para tirá-la de lá.

- Lobo tinha amnésia, e muito tempo do livro era voltado para ele e Scarlet tentando descobrir quem ele era e de onde tinha vindo.

- Capitão Carswell Thorne no início se chamava Alexander Woods. Inicialmente ele teria o papel de caçador do conto da Chapeuzinho Vermelho.

- A nave de Scarlet se chamava Little Red (algo como “Vermelhinha”; o título do conto em inglês é Little Red Riding Hood).

- Os lobisomens da história no início eram mais “mágicos”, mudando de forma na lua cheia por exemplo. Na versão final, se tornaram mais tecnológicos.

Inspiração e Pesquisa
Lembram quando eu falei sobre usar imagens para escrever? Marissa Meyer é uma autora que faz isso!! <3

Olhem as imagens que ela menciona como tendo sido a inspiração inicial para alguns detalhes desse livro (os links diretos estão no fim do post):

Inspiração - Lobo e Levana
Lobo e Levana

Inspiração - Casa de Scarlet
Casa de Scarlet

Inspiração - Armazéns do distrito
Armazéns do distrito

Inspiração inicial - Rampion
Rampion - foi bastante mudada posteriormente

Inspiração - Entrada da Casa de Ópera de Paris - Ópera Garnier
Entrada da Casa de Ópera de Paris - Ópera Garnier

(Curiosidade: se você está se perguntando se a Ópera Garnier é onde se passa a história do Fantasma da Ópera, você acertou!!! He's there, the Phantom of the Operaaa...)

Você encontra essas e outras fotos no Board das Crônicas Lunares (Lunar Chronicles) no Pinterest da autora. :)

Sobre pesquisa, existe uma organização chamada Wolf Haven (Céu dos Lobos, em tradução livre), voltada para proteção desses animais. Foi de lá que veio a maior parte das informações que a autora reuniu sobre lobos.

Além disso, Marissa Meyer passou horas andando pelo tour virtual da Ópera Garnier e pelo Google Maps na parte do streetview de Paris.

🚨Alerta de spoiler on 🚨

Mapa da França com regiões agrícolas
Esse mapa da França que Marissa Meyer imprimiu mostra as principais áreas de agricultura do país. Além de dar uma ideia de que tipo de vegetais Scarlet e a avó cultivavam na fazenda, também deu uma ideia do caminho que ela e Lobo fariam para chegar a Paris, uma vez que a autora queria que eles acabassem em uma floresta).
🚨Alerta de spoiler off 🚨

Confesso, quanto mais eu leio sobre o processo de escrita dessa mulher, mais impressionada eu fico com o número de detalhes que ela procura e o cuidado que ela tem para amarrar tudo.

Links interessantes
Para facilitar a vida, aqui está o link de Scarlet no Skoob.

Se quiser dar uma olhada nas capas de Scarlet ao redor do mundo, visite Lunar Chronicles - Wikia.

Para quem anda querendo treinar o ouvido em inglês, no blog da autora tem disponível o primeiro capítulo do audiobook.

Temos também mais duas cenas deletadas que infelizmente também não consegui encontrar a tradução para o português.



E resenhas interessantes sobre o livro:

Scarlet - Paradise Books
Vocês já leram a continuação de Cinder? Gostaram mais de qual? Também estão encantados com o método de pesquisa de Marissa Meyer?



P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Marie-Jeanne Valet
- Imagem Rieux-Volvestre 
- Imagem Inspiração Lobo
- Imagem Inspiração Levana
- Imagem Inspiração da casa de Scarlet
- Imagem Inspiração dos armazéns
- Imagem Inspiração Rampion
- Imagem Inspiração entrada da Ópera Garnier



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Curiosidades: Cinder , As Crônicas Lunares #1 de Marissa Meyer

Cinder, Crônicas Lunares


Hoje vamos começar a falar da série Crônicas Lunares, da autora Marissa Meyer, que mistura contos de fada, distopia e ficção científica. São quatro livros principais, um spin-off e um livro de contos. Vem comigo!

Sinopse
Cinder , As Crônicas Lunares #1 de Marissa MeyerCinder, uma garota de dezesseis anos, é considerada um erro tecnológico pela maioria da sociedade e um peso para sua madrasta. Ser um cyborg [meio robô, meio humana] tem seus benefícios, porém: A interface cerebral de Cinder dá a ela uma capacidade incomum de consertar coisas (robôs, arreios, suas próprias partes mal funcionantes), fazendo dela a melhor mecânica em Nova Pequim. Essa reputação traz o próprio Príncipe Kai ao seu box no mercado da cidade para que ela conserte um android antes do baile anual. Ele chama brincando de "um assunto de segurança nacional", mas Cinder suspeita que o caso é mais sério do que ele deixa transparecer.

Embora ansiosa para impressionar o príncipe, as intenções de Cinder são adiadas quando sua irmã mais nova e única amiga humana contrai a praga fatal que tem assolado a Terra na última década. 
[adaptado de carta de apresentação do livro que a autora enviou para a editora presente no blog de Marissa Meyer]

(Sério, olhem a capa de Cinder, não é maravilhosa??)

Sobre o Livro
Marissa Meyer
Publicado nos Estados Unidos em 2012, o livro é uma releitura de Cinderela misturada com ficção científica e distopia.    

Eu sei, pode parecer bastante coisa meio aleatória junta. Confesso que quando ouvi falar do livro, eu não me interessei em ler. Mas quando eu finalmente li, fiquei com aquela cara de “porque não li antes????”.

Ele é o primeiro da série As Crônicas Lunares, que passeia por outros contos de fadas também:


As Crônicas Lunares

1. Cinder
2. Scarlet
3. Cress
    3.5 Levana
4. Winter
- Coletânea de contos Stars Above – ainda não traduzido para o português.

Wires and Nerves, Marissa MeyerUma nova série foi lançada recentemente, ainda não traduzida também, chamada Wires and Nerves (Fios e Nervos, em tradução livre), uma graphic novel em que a personagem principal é Iko (uma androide amiga de Cinder) e que se passa após o livro 4, mas antes do último conto de Stars Above.

(Vou falar mais dos livros seguintes dos próximos posts, não percam =D)



O início da ideia
No seu blog, Marissa Meyer, conta um pouco de como a ideia do livro surgiu. 

Em 2008, ela participou de um concurso de escrita de um site chamado Aria’s Ink, um site de fanfictions de Sailor Moon. Os participantes tinham de escolher 2 entre 10 itens para colocar na história. Ela escolheu: ter um personagem de conto de fadas e se passar no futuro. A história acabou sendo uma fanfic de universo alternativo (tinha os personagens de Sailor Moon, mas em um contexto diferente) que era a releitura de O Gato de Botas em um cenário futurista.
O Gato de Botas
Ela não venceu o concurso, mas isso deu a ela a ideia de colocar personagens de contos de fada em uma época no futuro, além de ter alguns toques do universo que conhecemos em Crônicas Lunares. Ainda não consegui ler, mas o conto Luna version 4.2 está aqui para quem se interessar (confesso, Sailor Moon não esteve tão presente na minha infância).



Por que na China Comunidade das Nações Orientais?
Um dos contos considerado uma das primeiras versões de Cinderela já encontradas é chamado de "Ye Xian" (os registros são do século IX, na China). Você encontra uma versão resumida do conto aqui.

Ye Xian, Cinderela Chinesa
Ye Xian

pés-de-lótusAlgumas pessoas acreditam que o sapatinho perdido que o príncipe usa para encontrar Cinderela vem da tradição chinesa dos pés-de-lótus ou pés-de-ligação: uma forma (torturante) de deixar os pés das mulheres muito, muito pequenos - quanto menores, mais bonitos eram considerados (me lembrem de nunca mais reclamar das minhas sapatilhas de pano, por favor).

Pesquisas
Cinder - Fanart por chrysalisgrey
Fanart por chrysalisgrey 
Como todo autor que se preze, Marissa Meyer teve de fazer muita pesquisa para escrever Cinder e os outros livros das Crônicas Lunares. Em uma entrevista publicada no The Guardian, ela conta que quando decidiu escrever uma série de ficção científica, foi para a biblioteca e ficou horas com um monte de revistas Scientific Americam querendo ter uma ideia de como estava a tecnologia hoje e para onde tendia a ir. Ela queria que a tecnologia das Crônicas Lunares tivesse uma base real, e que soasse não só como possível, mas como inevitável.

Outras fontes de inspiração foram, óbvio, os contos de fadas em que cada livro se baseia, além de épicos da ficção científica como Guerra nas Estrelas, histórias de revoluções e queda de dinastias, movimentos sobre direitos civis, peste bubônica. E aí vem uma frase dela que eu adorei:

“Inspiração está em todo lugar. É trabalho do escritor pegar todos esses pedaços de ideias e modelá-los em uma história.”
Inspiration is everywhere. It’s the writer’s job to take all those little bits of ideas and mold them into one story. 

Coisas Interessantes
Cinder - Fanart por kathryngee
Fanart por kathryngee
- O nome Cinder, vem do conto Cinderela, em que a personagem frequentemente estava coberta de cinzas (cinder = cinzas em inglês). E, como no conto, Cinder está quase sempre coberta de sujeira (nesse caso mais graxa do que cinzas, mas vocês entenderam).

- Nas primeiras anotações da autora para esse livro, Cinder sonhava em ser 100% humana e ficava sabendo que um cientista do palácio estava desenvolvendo meios para dar partes humanas a ciborgs. Ela dava um jeito de encontrá-lo e começava o tratamento.

- Na mitologia grega, “Selene” (no livro, a sobrinha de Levana) é a titã deusa da Lua, e seu nome romano era “Luna”. 

- A capital de Luna, Artemísia, vem do nome Ártemis, a deusa grega da Lua e da caça, que sucedeu Selene.
Selene e Ártemis
Selene e Ártemis


NaNoWriMo- O nome do Dr. Erland era Merlin na primeira versão do livro (!!).

- As primeiras versões de Cinder, Scarlet, e Cress começaram no NaNoWriMo! (Como alguém consegue terminar o NaNoWriMo é um mistério pra mim.) 

(Se você nunca ouviu falar ou nunca entendeu o que é esse negócio, você encontra uma explicação bem legal - e sucinta - do que é o NaNoWriMo nesse post do Conversa Cult.

Concurso de Litografia
Marissa Meyer com frequência em seu blog pede ideias, responde perguntas, faz concursos. Parece uma página bem movimentada, rsrs. 

Um dos concursos que apareceu por lá foi para que os fãs fizessem uma imagem de litografia relacionada a Cinder. Essa foi a imagem ganhadora: 
Litografia de Cinder - imagem By Snigdha
imagem By Snigdha
Se quiser conferir, as outras seis imagens finalistas estão no post do blog da autora sobre o concurso.

Falando em imagens, olhem o fundo desse blog que coisa fantástica (faz mais sentido pra quem leu o resto da série, mas mesmo assim o.o)

 Blog Marissa Meyer

Outras coisas (e links) interessantes
Você pode encontrar duas cenas deletadas de Cinder no site da autora. Infelizmente, não encontrei as cenas traduzidas :(


- Se quiser dar uma mini treinada no inglês, no site das Crônicas Lunares, têm um trecho do áudio book de Cinder disponível.

- Se você gosta de anotar sua vida literária pelo Skoob, Cinder também está lá.

- Temos também duas resenhas para vocês terem mais ideia da edição lançada no Brasil e essas coisas:

* Romances e Leituras - Cinder - adorei a resenha, bem parecido com o que eu achei do livro
* Vivendo Sentimentos - Cinder - não percam, não bastasse Cinder, a Monique têm vááárias resenhas de releituras de contos de fada <3



O que acharam das curiosidades sobre Cinder, já conheciam? Alías, o que acham do livro em si, se já leram? E se não leram, está na wish list? Contem para mim nos comentários. :)





P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Sailor Moon
- Imagem Gato de Botas
- Imagem Ye Xian






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