Mostrando postagens com marcador Dicas para Escritores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dicas para Escritores. Mostrar todas as postagens

Sobre roupas antigas!

Sobre roupas antigas!

Caro leitor,
embora meu gosto por coisas mágicas e fantásticas seja bem visível pelo conteúdo geral do blog, para quem por acaso se lembrar de um detalhe frívolo da minha postagem sobre A Princesa do Baile da Meia Noite (algo parecido com um gritinho contido pelo vestido LIN-DO da capa americana do livro), deve imaginar que ADORO esses vestidões e roupas de estilo mais antigo também. S2

Instagram: @bernadettebanner
Pois bem, no meio do caos atual que estamos vivendo, vulgo, quarentena por COVID 19, uma amiga da faculdade me enviou um canal do YouTube que ela andava assistindo e eu PRECISAVA compartilhar a descoberta.

O canal é da Bernadette Banner, uma historiadora de moda, que, entre outras coisas, tenta recriar peças antigas usando as tecnologias disponíveis na época. Ela conta também de onde tira as informações, fala sobre a pesquisa que faz, disponibiliza fontes (como um livro de acesso gratuito no site da Biblioteca Pública de Nova York - mais sobre isso em instantes). Ela trabalhou uma época no teatro (na Broadway, pelo que menciona em um dos vídeos) e tem um instagram (@bernadettebanner) muito, muito bonito (ainda mais bonito do que o portfólio do site dela)

Um dos primeiros vídeos que vi foi sobre um vestido do século XV que ela faz baseado em uma pintura (!)  Esse aqui, por sinal:

Instagram: @bernadettebanner


YouTube: Bernadete Banner
E, oh, temos Cesário, o porquinho da índia fofinho! Tem um vídeo que ela de repente pára de falar e solta um "não, não, não mastigue os fios!"


Ok, eu sou babona e quero um cachorro, mas isso não vem ao caso.

Eu descobri algumas coisas bem interessantes até agora, como que espartilhos não necessariamente esmagavam as mulheres na época (foi um choque pra mim, confesso), porque é diferente usar espartilhos de "apertar muito as fitas".

Então se você está escrevendo algum livro de época e precisa de referências interessantes sobre vestuário, gosta de trabalhos manuais ou só gosta de babar nessas coisas (como eu, hihihi) não deixe de dar uma olhada. Fiquei bem com saudade de costurar e bordar como fazia quando era mais nova (obviamente nem perto do nível dela) e, oh, quero fazer aquele (esse da foto abaixo) casaco vitoriano pra mim!!

Instagram: @bernadettebanner

Não podia deixar de mencionar também os UFOs (UnFinished Objects - Objetos Não Terminados), algo que absolutamente qualquer pessoa que trabalha com artesanato tem, eu, inclusive (simplesmente adorei os comentários dela a respeito). No vídeo em que ela fala disso, também faz um chapéu usado pela Prof. McGonagall em um dos filmes, por sinal.

Para os mais interessados em livros propriamente ditos, ela tem um vídeo sobre uma das pesquisas que fez na Biblioteca Pública de Nova York (que prédio lindo!) e um que ensina como fazer uma pena de escrever (!). 

Instagram: @bernadettebanner
Biblioteca Pública de Nova York

Também sobre livros, ela fez um projeto para recriar o vestuário de uma versão feminina de Sherlock Holmes, chamado Lady Sherlock (duas amigas fizeram a Lady Watson e a Lady Moriarty). Para ter uma ideia das fontes que ela menciona, o livro que aparece nessa série The Keystone - Jacket and Dress Gutter, e que pode ser acessado gratuitamente é esse: 

The Keystone - Jacket and Dress Gutter


A parte que pode complicar é estar tudo em inglês, mas quase todos, se não todos, os vídeos têm a legenda em inglês também, o que facilita (por causa do meu trabalho, eu já leio bastante coisa em inglês normalmente, mas esse vocabulário um pouco mais específico de tecidos e costura, me quebrou um pouco as pernas no começo).

Obviamente ainda não consegui ver TODOS os vídeos, mas vi vários e adorei. A estética deles é bem bonita também e vale a pena dar uma olhada mesmo que você não acompanhe a língua.

O começo dessa postagem foi uma referência a como ela iniciava seus primeiros vídeos, o que diz muito sobre o estilo dela, inclusive.

Espero que tenham gostado, eu claramente fiquei apaixonada pelo trabalho dela. S2


QUERO LER O POST COMPLETO

Curiosidades: Adormecida, de Anna Sheehan

Curiosidades: Adormecida, de Anna Sheehan

Se você ainda não viu, dê uma olhada na resenha de Adormecida :) 

Contos de Fada
A referência mais óbvia do livro é o conto A Bela Adormecida. Porém, ao contrário do conto, que termina com o despertar da princesa, aqui isso é só o começo da história.

A Bela Adormecida, 1959 Walt Disney Pictures
A Bela Adormecida, 1959
Walt Disney Pictures
Temos também um sono muito longo (no livro em torno de 62 anos), o equivalente de uma princesa (a herdeira de uma corporação multimilionária) que é acordada do sono com um beijo (na verdade, mais uma respiração boca-a-boca).

Sem contar que a protagonista chama Rosalinda Samantha Fitzroy e recebe o apelido de Rose - impossível não lembrar de Aurora, da Disney, que tem o apelido de Rosa na sua época de anonimato. 

Além disso, a própria personagem faz referência ao conto em alguns momentos :

 Adormecida, de Anna Sheehan

Inspiração
Em uma entrevista para o Enchanted Ink Pot, Anna Sheehan conta que a inspiração para a história veio de um pensamento que qualquer pai tem enquanto fica perseguindo um filho pequeno pra lá e pra cá: “Ah, se eu pudesse apertar o botão de pause” e perceber que algumas pessoas realmente fariam isso se pudessem. Então passou a pensar no que isso significaria para a pessoa que fosse ‘pausada’.


De como isso virou a estase a que Rose é submetida também tem uma história interessante: uma vez escutou um roteirista norte-americano chamado Blake Snyder falar a seguinte frase (tradução livre): “Estase é igual a morte" – ele na verdade estava falando sobre teoria literária e sobre como se seu personagem não muda a situação dele na vida, ele poderia estar morto.” A frase acabou reverberando na cabeça dela e daí surgiu a fonte de ‘sono’ de Rose.

Observação: Blake Snyder foi um mentor de escrita que publicou três livros chamados "Save the Cat!" sobre esse tema – já entraram na minha lista para dar uma olhada por aí... rsrsrs.


Gênero Literário
Apesar de ter alguma base em um conto de fadas/fantasia, o livro é uma obra de ficção científica que se passa num futuro após algumas catástrofes (econômicas, populacionais, pandêmicas). Porém a autora nunca pensou nele como uma distopia, esse gênero foi acrescentado pelos editores para os fins de publicação. Ela conta um pouco sobre isso em uma entrevista para o Podcast do Stage and Studio.

Personalidade e Abuso
Scarlet O'Hara
E O Vento Levou, 1939
Desde jovem, a autora conviveu com várias pessoas vítimas abuso e cronicamente deprimidas, sendo que ela tem o diagnóstico de distimia também. Para essa história ela pesquisou sobre vítimas de abuso e transtornos dissociativos associados. 

Segundo ela, Rose se tornou o tipo de pessoa que põe os pensamentos de lado, “não vou pensar nisso agora”. Nesse podcast ela compara com o que Scarlet O’Hara (de E O Vento Levou) faz – deixa para depois, mas acaba nunca pensando a respeito.

Conforme a história de Adormecida avança, fica cada vez mais claro o quanto os pais de Rose são abusivos, e uma das coisas que a autora coloca é como esse processo pode ser suave e silencioso, a ponto de a pessoa nem achar que é um abuso (é muito mais claro pensar em abusos físicos).

Conta também que Rose ter se tornado passiva foi um mecanismo de sobrevivência, e essa característica da personagem é algo que alguns leitores reclamam a ponto de não terminarem o livro. E aí ela solta uma frase que achei maravilhosa:


“Você pode ser forte sem ser o fortão que vai pegar uma espada a acertar alguém. Você pode ser uma pessoa forte, mesmo sendo passiva. A forma como as pessoas se tornam passivas nunca é uma história bonita, então eu resolvi contar essa história e deixar as pessoas verem qual é a causa disso. […] Todo mundo tem um diagnóstico, e muitas dessas pessoas [que sofrem/sofreram abuso] são algumas das pessoas mais interessantes. E, sim, elas são quebradas, às vezes é muito difícil para elas se tornarem produtivas e sair de onde elas estão, mas elas têm as histórias mais interessantes, e os corações mais bonitos.” (tradução livre - Anna Sheehan’s “A Long, Long Sleep” - Stage and Studio)

Otto!
 Adormecida, de Anna SheehanAinda segundo o podcast do Stage and Studio, Otto nem aparecia no primeiro planejamento do livro. Eventualmente ele apareceu no almoço sem falar nada, e Anna Sheehan se perguntou porque ele não falava. As informações explodiram na cabeça dela e muitas coisas se resolveram na história.

Otto, obrigada por aparecer, você é um dos meus personagens favoritos!

Outros livros:
Existem dois outros livros publicados dessa autora:

- No Life But This (achei difícil traduzir isso, seria algo mais ou menos como “Sem outra vida além dessa”, no sentido de “essa é a vida que eu tenho”)


É uma espécie de continuação de Adormecida, ainda não traduzida para o português. Mas aqui a história é mais baseada em Otto e do ponto de vista dele pelo que entendi.

- Spinning Thorns (algo como “Espinhos Fiados”, no sentido de espinhos passados na roca)


É uma outra releitura de A Bela Adormecida, mas enquanto em Adormecida, ela focou na protagonista do conto original, aqui ela foca no que aconteceu no reino.

Bloqueio de Autor
Perguntaram a Anna Sheehan no Goodreads como ela lida com o bloqueio de autor. Vejam a resposta (dica: ela mora em uma fazenda):

“Com um machado. É a melhor forma. Na verdade, eu não costumo ter ‘bloqueio de autor’ exatamente. Eu tenho bloqueio de editor, quando eu tenho problemas para editar um livro do jeito que ele precisa ficar para ser vendável. E na verdade, um machado costuma funcionar muito bem se estou tendo problemas para escrever – se estou dentro de casa por muito tempo, um pouco de atividade física é útil, e nós aquecemos a casa com um fogão a lenha.” (tradução livre)

 Adormecida, de Anna Sheehan


O que acharam dessas curiosidades? Eu estou cada vez mais apaixonada por esse livro. S2

P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Scarlet O’Hara, 1939 
- Imagem Aurora, 1959 
- Imagem Goodreads 




QUERO LER O POST COMPLETO

10 coisas que escritores não sabem sobre as florestas – parte 3


Se você caiu de paraquedas direto na parte 3 e quiser se localizar:

10 coisas que escritores não sabem sobre as florestas – parte 1

Mais sobre a vegetação

Floresta Amazônica
Fonte: Conexão Planeta
- Dependendo da região, as florestas têm características diferentes e variam de acordo com o clima [lembram das aulas de Geografia do colégio, lembram?]. No norte da Europa, tem menos vegetação rasteira; em florestas tropicais/equatoriais chega a ser impossível passar (você vai tendo de dar a volta). Na Ásia, há animais silvestres maiores (elefantes e tigres, por exemplo). Em outros lugares, a mata rasteira tem muitos espinhos. Não se esqueça de outros amiguinhos encontrados no caminho: cobras, sanguessugas, insetos e outros parasitas.


General Sherman, sequoia de 83 m de altura
Fonte: O Globo
Alguns tipos de árvore, geralmente grandes, que bloqueiam a luz do sol, tendem a deixar a área em volta delas limpa, como as sequoias. Mesmo assim, você vai encontrar umas samambaias disfarçando buracos inesperados. Mesmo sem esse tanto de vegetação rasteira, talvez andar em linha reta não vai ser possível.

Florestas mais ricas em água tornam passar por elas uma missão impossível, especialmente em primavera/verão por causa de arbustos, mudas e aranhas. Além das muitas aranhas simpáticas que gostam de fabricar suas teias sobre as trilhas.

Perto do chão, também encontra musgo, árvores mortas e árvores jovens ainda menores que você.

E não vamos esquecer das urtigas – calças e mangas cumpridas, pessoal!

Sons e Silêncio
- Eu acho que a perseguição/espreita em silêncio depende da floresta. Eu já dei de cara com vários cervos na vida, e não é engraçado. Eu não estava tentando fazer silêncio, estava apenas curtindo minha caminhada quando ouço um bater ou bufar e quase fiz xixi nas calças quando vi o cervo olhando pra mim. Isso foi na antiga casa do meu avô. Os bosques eram razoavelmente velhos e cheios de sujeira macia e folhas pisadas devido às várias criaturas ao redor. Os bosques mais próximos da minha casa estão cheios de folhas secas e crocantes. Muito mais difícil não fazer barulho neles.


- O que mais me incomoda são os sons. Ninguém presta atenção aos sons. Animais da floresta se adaptam à mesma pessoa entrando e saindo da região onde eles ficam e vão continuar com seus variados barulhos e movimentos. Quando alguém novo aparece, eles fazem silêncio e ficam parados. É um jeito fácil de dizer se tem alguém se aproximando de você. Muito difícil aparecer de surpresa quando cai esse silêncio.

- Na minha experiência, a floresta não fica em silêncio assim que alguém entra. Primeiro tem uma agitação quando os animais saem daquela área. Se você sabe a diferença entre os sons de alarme dos pássaros locais e seus outros sons, fica fácil dizer se tem alguém se aproximando. Esquilos são outro bom indicador, eles geralmente não ficam quietos por um bom tempo.


- Quando eu costumava brincar na floresta, os animais ficavam quietos com coisas novas. Os esquilos não tagarelam muito, a não ser que vissem um gato ou um pássaro grande que quisesse comê-los.

Pássaros também não, a não ser que um predador aparecesse, como um gavião. Nesse caso, eles faziam um tumulto.

Bom, essas são apenas as minhas observações. Pode ser que os animais que eu encontrava estivessem acostumados com humanos, enquanto você vai a outro lugar em que elas não estivessem e reagiriam diferente. Eu não mexia com nenhum bicho para que a floresta como um todo passasse a me ignorar depois de algum tempo.



- Quando eu tento ser silencioso, tendo a andar mais devagar e dar cada passo com cuidado. Também presto atenção a que tipo de sapato estou usando. Em geral quanto mais macia a sola do sapato, mais macios os passos.

- Eu costumo confiar no barro macio no chão e na grama verde e macia, no musgo úmido para pisar em silêncio. Troncos caídos não são difíceis de transpor, porque tendem a ser menores. Se forem grandes, são divertidos de escalar. Quando se esgueirando pela floresta, eu também procuro rochas onde eu possa pisar, porque o som que faz também é silencioso.



- [...] muito barulho vem das árvores. Os rangidos - bem como estalidos, quase estalidos de pistola - surgem na primavera, e às vezes um som de fricção / deslizamento / escorregamento que pode quase parecer o toque de um dedo molhado no vidro, pode vir das árvores. As árvores não apenas se movem no vento, se moldam ao seu redor, ou caem uma contra a outra [...], mas a própria madeira reage ao clima, secando e rachando no calor ou expandindo e rachando se congelar no inverno. Aquela madeira congelada fica chocantemente barulhenta na primavera: aqui você sabe que a seiva está correndo por aquela fenda de madeira descongelada. 

Com besouros (horrivelmente barulhentos), e podridão e todo tipo de coisas, as árvores falam mais do que algumas poucas pessoas fazem. Se você ou o seu personagem estiver em um bosque no inverno em qualquer lugar ao norte, você ouvirá muito disso[...].


Tracking
É perfeitamente possível rastrear alguém olhando para gravetos quebrados e coisas do gênero. A trilha que um ser humano faz é muito diferente da de um animal, e, se você deixar de lado os ninhos de folhas,  pode ver as impressões de onde uma pessoa pisou, ou a borda afiada do seu sapato ou padrão dos passos (você não verá uma borda afiada na pegada de qualquer coisa natural).

Lembra daquela cena de O Senhor dos Anéis onde Aragorn olha para o chão e descobre exatamente o que aconteceu com os hobbits? Isso não é ficção, é perfeitamente possível, embora eu possa dizer por experiência própria em busca e resgate, que isso é muito, muito difícil e requer muita concentração e prática!


[Na praia é discretamente mais fácil de ver... rsrsr]
Também pegadas não são as únicas coisas para rastrear uma pessoa - você pode ver arranhões na lama onde eles poderiam ter deslizado para baixo de uma ribanceira (é mais fácil rastrear quando o solo está molhado, porque a lama mantém melhor esses sinais), e você também pode ver em arbustos densos, onde os galhos foram deixados de lado quando uma pessoa passa e eles estão direcionados de forma não natural.

- Rastrear uma pessoa sem pegadas óbvias é perfeitamente possível, mas são necessários anos de prática para se obter bons resultados, é um trabalho realmente meticuloso nos pequenos detalhes e é muito lento - escolher cada pegada, uma por uma, apenas te atrasa e dá à pessoa que você está rastreando uma grande vantagem.


Cheiros
- A maioria das criaturas tem um olfato melhor do que nós humanos. Você não quer que seu personagem vá caçar usando perfume ou depois de usarem sabonetes de cheiro forte ou de colocar desodorante.

Funciona também para pessoas que rastreiam pessoas. Todo mundo tem um cheiro, mais perfume / desodorante e coisas extras como fumaça de cigarro, gordura de fritura, ou qualquer cheiro aleatório que possa estar em volta constantemente. 

Tudo isso pode levar a encontrar alguém pelo cheiro. Não é a coisa mais fácil de fazer, mas isso pode ser feito, especialmente se seu personagem se basear no cheiro mais do que um humano normalmente faz.

Por exemplo, assustei meu marido uma vez rastreando-o pelo cheiro. Ele tinha saído para se esconder e me assustar uma noite, mas eu podia sentir o cheiro de sua colônia e o cigarro que ele acendia de onde quer que estivesse escondido. Foi hilário para mim. Na floresta, perfume e fumaça de cigarro seriam muito incomuns e um possível aviso de que você não está sozinho, ou que sua presa está por perto (supondo que você caçasse humanos, ou veados usando perfume para encobrir seu hábito de fumar).

Os seres humanos também podem sentir o cheiro da água, tempestades, da neve, da chuva, das estradas (cheiro de asfalto e escapamento de carros) e de todos os tipos de outras coisas. Nós não damos crédito suficiente ao nosso nariz, eu acho.


Solo
- Ah, e quando o inverno está se transformando em primavera, a neve pode ficar tão espessa que você pode andar sobre ela e não precisa atravessar a neve até o joelho. É a melhor coisa de todas, mas da última vez que fui leve o suficiente para fazer isso, eu tinha uns doze anos. As crianças têm o prazer de fazer coisas que os adultos não podem!



E aí, o que acharam dessa série de posts? Muitas novidades ou já tinham ouvido falar da maioria das coisas?


P.S. Imagens para fazer essa postagem vieram de:
Parque das sequoias gigantes tem árvore de 83 m de altura nos EUA - 26/03/2014 
- Floresta Amazônica: em prosa e imagens - 21/03/2016
- Demais imagens: pixabay.com


QUERO LER O POST COMPLETO

10 coisas que escritores não sabem sobre as florestas – parte 2


Como eu tinha falado no post 10 Coisas que Escritores não sabem sobre as florestas traduzido do original no blog do Dan Kobolt [10 Things Writers Don’t Know About The Woods], além do próprio artigo escrito pelo Dan Kobolt, tem muita coisa interessante nos comentários, então fiz um apanhado geral para vocês. Notem que em alguns tópicos há observações de mais de uma pessoa.

O post ficou gigante, então dividi mais uma vez. A parte 3 está semi-pronta e deve sair em uma semana.

Divirtam-se! =D

Cavalos x Florestas
- Bom, se correr na floresta já era improvável, imagina cavalgar. Você tem MUITA sorte se conseguir um trote lento, e para isso seria em uma trilha em uma distância bem curta, em uma trilha conhecida – embora o mais comum é andar devagar em trilhas.

- Andar a cavalo fora de uma trilha é pedir para ter um tornozelo quebrado. Talvez, talvez você até consiga ir guiando devagar se for particularmente cuidadoso e conseguir enxergar super bem o chão. Se bem que a maior parte das trilhas é tão pequena, estreita, com pedras e etc, que você não vai conseguir fazer mais do que guiar um cavalo. 


- Ainda sobre trotar, dependendo do tipo de floresta, se deixar o cavalo ir no ritmo dele, eventualmente é possível – com o cavaleiro cavalgando com a cabeça baixa, encostada no pescoço do cavalo para evitar galhos mais baixos. Aparentemente se o cavalo conhecer a mata melhor do que você, te odiar e quiser te jogar das costas dele passando por lugares estreitos (que servem para te arranhar também) é uma outra opção. Não é particularmente inteligente, mas, hei, nem todos os personagens são prudentes.

- Galopar em uma floresta é simplesmente ridículo. O único lugar seguro para galopar é um lugar enorme de terreno limpo.

Outros animais
- As cobras podem ser as piores coisas. Dei de cara com algumas em matas abertas. Eu odeio que elas nunca sejam mencionados em livros.

Eu moro na propriedade ancestral da minha família - eu ando pela floresta todas as noites para a casa do meu primo. Minha tia, meu avô e eu fomos todos mordidos por cascavéis. Eu também já fui mordido por outras cobras, incluindo cobras-rato - olhe para cima em algum momento e preste atenção, elas não são completamente noturnas e elas caçam em árvores, assim como no chão (pássaros, morcegos e ovos). Não se preocupe - elas podem atacar violentamente e atacar várias vezes, mas não são venenosas. É como ser atingido na perna com uma bola de beisebol (pelo menos pra mim foi - a cobra tinha cerca de um metro e vinte, então era forte). Uma cascavel parece um tiro, presumo - nunca fui atingido por uma arma, mas acho que pareceria assim. [...] As cobras atacam por baixo, quase sempre - então proteja suas pernas, especialmente pés e tornozelos.

- Eu costumava amar caminhadas na floresta (e ainda amo), mas eu não as faço com tanta frequência ultimamente. Existem alguns lobos e linces onde eu morava. Meu amigo realmente viu lobos de longe várias vezes durante o inverno. 

No entanto, são os ursos que realmente me incomodam. Sempre houve ursos e, mesmo que eu não estivesse realmente preocupada com a possibilidade de encontrá-los quando eu era mais novo, agora eu começo a entrar em pânico facilmente se estou sozinho na floresta. Não ajudou o fato de um urso ter atacado um cavalo menos de meia milha de distância da casa dos meus pais uns anos atrás. E no verão passado eu até vi rastros de urso em um caminho lamacento na floresta. Eu me sentiria mais seguro se eu entrasse nas florestas durante o inverno, quando os ursos estão dormindo, mas geralmente há muita neve para fazer isso...

Alías, sobre Aranhas
Paquistão
Foto de G1
- Já notou que se você jogar luz em uma clareira depois que anoitece vai ver pequenas coisas brilhando ali? Olhos. Olhos de aranhas refletem. 

Além disso, dar de cara com uma teia é uma coisa, mas tem algumas árvores tão envelopadas em teias que parecem enfeitiçadas e brilham na luz. A cada passo, dezenas de aranhas corriam. Centenas, milhares.


Falando em correr na floresta
- Eu já corri na mata, mas precisa de paciência e pensamento rápido. E resignação sobre o fato que você provavelmente vai torcer o tornozelo e tomar um tapa na cara de galhos... e espinhos. Ai, os espinhos. Eu fico atenta a essas malditas coisas e mesmo assim acabo 'rasgada'. Eu juro que eles se esticam para pegar humanos desprevenidos só porque eles são idiotas.

- A floresta em que eu cresci (Polônia) é diferente. Nós podíamos correr por ela, embora frequentemente tropeçávamos em raízes e caíamos. Ela parece com o tipo de floresta que os autores falam.

- Ah, eu já corri pela floresta. Escute minha história antes de balancar a cabeça. Eu sempre vivi na Flórida, sempre com pelo menos meia milha de profundidade de floresta por perto. Eu vivia "explorando". Fui curada.

Aquelas aranhas que comentaram ali em cima, imagine a aranha de jardim, aquela amarela, tão grande quanto o seu punho, aparecendo na sua perna. Repito: na sua perna. Eu tinha 13 anos e achei que ia morrer. Sim, eu corri pela mata gritando e chorando. Torci meu tornozelo em uma de várias quedas e rasguei quase totalmente minhas roupas (parte galhos rasgando, parte eu tentando me livrar de peças em que a aranha ainda poderia estar). 

Mas quando você está correndo tentando salvar a sua vida, você consegue correr na floresta. Você tropeça bastante na mata rasteira, muitos galhos acertam seu rosto e arranham seus braços e pernas. Ah, e palmeiras jovens não apenas arranham você, elas cortam. De todo modo, junte uma menina de 13 anos e uma aranha e terá um super-humano, porque enquanto eu corria não senti o tornozelo torcido, os arranhões ou cortes, não fiquei cansada pela corrida... na verdade, eu não conseguia parar de correr quando cheguei ao meu quintal. Imagino que isso tenha muito a ver com a adrenalina circulando quando você tem medo de morrer. [...] 

Então eu acho que em algumas circunstâncias, um personagem, quando correndo do vilão ou cheio de adrenalina poderia correr na floresta desde que ele tropeçasse, caísse em raízes, fosse arranhando por galhos. Desde que ele não saia ileso, então não é tão fora da realidade.

- Correr em trilhas de veados e cabras é possível aqui na Nova Zelândia, mas nosso terreno é bastante irregular, e eu já torci o tornozelo vezes demais para contar.

- Animais podem correr pela mata, mesmo com grande velocidade, mas eu também já vi meu cachorro correndo e acertando a cara direto em uma árvore...




E aí, estão gostando dos comentários? Tem mais na próxima postagem, não percam!

Veja os outros posts dessa série:
10 coisas que escritores não sabem sobre as florestas – parte 1


P.S. Imagens para fazer essa postagem vieram de:
- Enchentes no Paquistão provocam espetáculo de teias de aranha em árvores - 06/04/2011
- Demais imagens: pixabay.com



QUERO LER O POST COMPLETO

Curiosidades: Scarlet , As Crônicas Lunares #2 de Marissa Meyer


Sinopse
Scarlet , As Crônicas Lunares #2 de Marissa MeyerCinder, a mecânica ciborg, retorna nesse segundo volume de As Crônicas Lunares. Ela está tentando fugir da prisão – mesmo que, se ela conseguir, será a fugitiva mais procurada da Comunidade das Nações Orientais.

Do outro lado do mundo, a avó de Scarlet Benoit está desaparecida. Quando Scarlet encontra Lobo, um lutador de rua que talvez tenha informações sobre o paradeiro de sua avó, ela reluta em confiar nesse estranho, mas é inexplicavelmente atraída por ele e ele por ela. Enquanto Scarlet e Lobo desvendam um mistério, eles encontram outro quando conhecem Cinder. Agora, todos eles precisam estar um passo a frente da má Rainha Levana de Luna, que fará qualquer coisa para que o belo Príncipe Kai se torne seu marido, seu rei e seu prisioneiro. [tradução livre de Goodreads - Scarlet]

Sobre o Livro
Scarlet é o segundo livro da série Crônicas Lunares, continuação de Cinder, escrito por Marissa Meyer e publicado nos Estados Unidos em 2013. A capa vermelhadá uma boa dica de qual conto de fadas é a base desse segundo livro: Chapeuzinho Vermelho. Mas não se engane, apesar de termos elementos que claramente remetem ao conto, assim como em Cinder, a história traz bem mais do que uma garota levando doces para a avó e sendo engolida por um lobo.
Fanart Scarlet por deanpinterester
Fanart por deanpinterester

Eu gostei do livro, assim como de toda a série, mas confesso que algumas partes me incomodaram. Temos algumas cenas um tanto violentas, principalmente mais para o fim do livro. Veja bem, elas fazem sentido na história, acho que eu só não estava esperando por elas (ou simplesmente porque não é o tipo de cena das minhas Top-10 preferidas).

E se você está se perguntando porque diacho estamos falando de uma nova personagem se o que você quer mesmo saber é o que está acontecendo com Cinder depois do final do primeiro livro, não se preocupe. Nesse segundo volume, Marissa Meyer intercala as duas narrativas de uma forma super bem feita!

Por que na França/Federação Europeia?
Histórias de lobisomens aparentemente são comuns em qualquer lugar que tenha lobos. Umas das histórias mais famosas, pra não dizer reais, de certa forma, aconteceu em uma região do sul da França chamada Gévaudan no século XVIII.

Segundo o site do museu Smithsonian, cerca de 300 pessoas foram atacadas de forma brutal ao longo de três anos. Os ataques foram atribuídos a uma criatura que ficou conhecida como Besta de Gévaudan. Há histórico de algumas pessoas que teriam conseguido se defender e até machucar a fera. Uma delas foi Marie-Jeanne Valet.

Estátua de Marie-Jeanne Valet na vila de Auvers, sul da França
Estátua de Marie-Jeanne Valet na vila de Auvers, sul da França

Marissa Meyer viu um documentário sobre o caso na época em que estava planejando as Crônicas Lunares, e achou interessante que a França já tivesse sua própria história de superstição em lobisomens.

Aliás, você encontra uma versão em português da história da Besta de Gévaudan na Wikipedia.

Coisas Interessantes
Rieux-Volvestre
Rieux-Volvestre
- O nome de Émilie originalmente era Sophia (foi trocado por haver nomes demais com som de S – Scarlet, Cinder, Sophia)

- A cidade de Rieux é baseada em uma cidade real chamada Rieux-Volvestre (sugestão do editor francês das Crônicas Lunares)

🚨Alerta de spoiler on 🚨

- o quartel general do Bando a princípio seria nas catacumbas de Paris

- o nome Ze’ev é hebreu e Ran é nórdico – ambos significam ‘lobo’.

🚨Alerta de spoiler off 🚨

A Primeira Versão
Em uma entrevista para o blog A Backwards Story, Marissa Meyer contou como eram algumas coisas na primeira versão do livro e como mudaram até a versão final:

- Scarlet era uma garçonete no pub que aparece no primeiro capítulo do livro.

Fanart de Scarlet Angela Yohn
Fanart Angela Yohn

- A avó de Scarlet era mantida como uma espécie de escrava na América. Scarlet sabia onde ela estava e tentava juntar dinheiro para tirá-la de lá.

- Lobo tinha amnésia, e muito tempo do livro era voltado para ele e Scarlet tentando descobrir quem ele era e de onde tinha vindo.

- Capitão Carswell Thorne no início se chamava Alexander Woods. Inicialmente ele teria o papel de caçador do conto da Chapeuzinho Vermelho.

- A nave de Scarlet se chamava Little Red (algo como “Vermelhinha”; o título do conto em inglês é Little Red Riding Hood).

- Os lobisomens da história no início eram mais “mágicos”, mudando de forma na lua cheia por exemplo. Na versão final, se tornaram mais tecnológicos.

Inspiração e Pesquisa
Lembram quando eu falei sobre usar imagens para escrever? Marissa Meyer é uma autora que faz isso!! <3

Olhem as imagens que ela menciona como tendo sido a inspiração inicial para alguns detalhes desse livro (os links diretos estão no fim do post):

Inspiração - Lobo e Levana
Lobo e Levana

Inspiração - Casa de Scarlet
Casa de Scarlet

Inspiração - Armazéns do distrito
Armazéns do distrito

Inspiração inicial - Rampion
Rampion - foi bastante mudada posteriormente

Inspiração - Entrada da Casa de Ópera de Paris - Ópera Garnier
Entrada da Casa de Ópera de Paris - Ópera Garnier

(Curiosidade: se você está se perguntando se a Ópera Garnier é onde se passa a história do Fantasma da Ópera, você acertou!!! He's there, the Phantom of the Operaaa...)

Você encontra essas e outras fotos no Board das Crônicas Lunares (Lunar Chronicles) no Pinterest da autora. :)

Sobre pesquisa, existe uma organização chamada Wolf Haven (Céu dos Lobos, em tradução livre), voltada para proteção desses animais. Foi de lá que veio a maior parte das informações que a autora reuniu sobre lobos.

Além disso, Marissa Meyer passou horas andando pelo tour virtual da Ópera Garnier e pelo Google Maps na parte do streetview de Paris.

🚨Alerta de spoiler on 🚨

Mapa da França com regiões agrícolas
Esse mapa da França que Marissa Meyer imprimiu mostra as principais áreas de agricultura do país. Além de dar uma ideia de que tipo de vegetais Scarlet e a avó cultivavam na fazenda, também deu uma ideia do caminho que ela e Lobo fariam para chegar a Paris, uma vez que a autora queria que eles acabassem em uma floresta).
🚨Alerta de spoiler off 🚨

Confesso, quanto mais eu leio sobre o processo de escrita dessa mulher, mais impressionada eu fico com o número de detalhes que ela procura e o cuidado que ela tem para amarrar tudo.

Links interessantes
Para facilitar a vida, aqui está o link de Scarlet no Skoob.

Se quiser dar uma olhada nas capas de Scarlet ao redor do mundo, visite Lunar Chronicles - Wikia.

Para quem anda querendo treinar o ouvido em inglês, no blog da autora tem disponível o primeiro capítulo do audiobook.

Temos também mais duas cenas deletadas que infelizmente também não consegui encontrar a tradução para o português.



E resenhas interessantes sobre o livro:

Scarlet - Paradise Books
Vocês já leram a continuação de Cinder? Gostaram mais de qual? Também estão encantados com o método de pesquisa de Marissa Meyer?



P.S. Além das fontes já citadas, outras informações para fazer essa postagem vieram de:
- Imagem Marie-Jeanne Valet
- Imagem Rieux-Volvestre 
- Imagem Inspiração Lobo
- Imagem Inspiração Levana
- Imagem Inspiração da casa de Scarlet
- Imagem Inspiração dos armazéns
- Imagem Inspiração Rampion
- Imagem Inspiração entrada da Ópera Garnier



QUERO LER O POST COMPLETO